2º Domingo da Quaresma | Homilia | Padre Francisco da Costa |28/02/2021

Publicado por: Silvia Oliveira 28/02/2021

2º DOMINGO DA QUARESMA, ANO B – 2021

O AMOR É MANIFESTADO PELO SACRIFÍCIO

(Gen 22,1-2.9a.10-13.15-18. Salmo 115 (116). Rom 8,31b-34. Mc 9,2-10)

Caros irmãos e irmãs! A nossa vida, especialmente a dos crentes, passa sempre por provações. Na primeira leitura do Gen 22, no início da passagem, ouvimos dizer que Deus queria testar <pôr à prova> a Abraão. No Antigo Testamento, este verbo frequentemente tem as “nuances” de “examinar”, Deus vai “testar Abraão”. A “prova” à qual Abraão se submete é particularmente dramática: Javé lhe pede que sacrifique Isaac, seu único filho, e o ofereça como holocausto em uma montanha. Houve choque como humano, porque para Abraão Isaac não é apenas o filho único e amado de Abraão, mas Isaac é também o herdeiro daquela promessa que Deus fez para com ele. Isaac é a garantia de um futuro, daqueles numerosos descendentes que tomarão posse da terra; ele é a garantia daquelas promessas que deram sentido à peregrinação de Abraão desde que Deus o enviou para deixar sua terra, sua família e a casa de seus pais. Embora seja impossível, a reação de Abraão é sempre positiva; <<Eu estou aqui>>. Ou seja, por obediência, Abraão faz sempre o que Deus lhe ordenou. Daí, o crente Abraão ensina-nos a confiar em Deus mesmo quando tudo parece estranho e incompreensível. Abraão obedece e acredita em Deus sem reservas. Ele é o pai da fé de todas as nações.

Caros irmãos e irmãs! Neste domingo, a Santa Igreja nos oferece o Evangelho da Transfiguração do Senhor. São Marcos evangelista destaca alguns elementos importantes para nossa reflexão. O primeiro elemento, São Marcos relata que Jesus subiu a um lugar isolado em uma alta montanha para rezar. Ele estava acompanhado pelos 3 apóstolos: Pedro, Tiago e João. Isto significa que os 3 Apóstolos também participaram da oração de Jesus. Jesus rezava todos os dias: de manhã, à noite, e às vezes até a noite inteira. Mas desta vez, no Monte Tabor, Jesus foi transfigurado enquanto rezava. Suas roupas se tornaram resplandecentes, de tal brancura que nenhuma lavadora na terra poderia branqueá-las tão bem. A transfiguração e a oração manifestam a mesma verdade: Jesus foi transfigurado porque sua vida de oração era tão profunda e inabalável. Jesus, mesmo sendo o Filho de Deus, não pensa nem faz sua própria vontade. Mas ele sempre se comunica, ele mantém um diálogo íntimo com Deus, o Pai. Através da oração, Jesus fala como um filho ao Pai, ele escuta e faz sempre a vontade do Pai. O segundo elemento, São Marcos destaca outro detalhe que é marcante, é a conversa entre Jesus, Moisés e Elias. Moisés e Elias aparecem em conversa com Jesus.

Nesse episódio, Moisés é o representante da lei e Elias representa os profetas. Do que eles estavam falando? Marcos nos diz que eles estavam falando sobre a paixão, a morte que Jesus enfrentará em Jerusalém. Jesus ouve o que a lei do Antigo Testamento e os profetas profetizavam sobre sua paixão, morte e ressurreição. Na oração, Jesus não se esquiva de sua missão. Ele veio ao mundo para cumprir a missão que Deus Pai lhe confiou, de acordo com o que a lei e os profetas disseram. Jesus sabe que no final ele vai vencer, ele será vitorioso. A transfiguração de Jesus aponta para sua ressurreição, sua vitória. Mas antes de entrar em Seu corpo glorioso ou vitorioso como está, Jesus deve sofrer e morrer. Não há outro caminho a não ser o caminho da cruz. Não há Monte Tabor se não houver Calvário.

Portanto, não há glória quando não há cruz. Mas por que, então, Jesus antecipa, desde o início, sua glória antes de sua paixão e morte? Temos duas respostas: primeira, para que quando Jesus sofresse e fosse pregado na cruz, os Apóstolos ficassem consolados de que Ele se ressuscitar da morte. Em segundo lugar, oferece uma esperança a todas as pessoas de que quando sofrerem e morrerem em Cristo e com Cristo, eles também se ressuscitarão com Ele. Em outras palavras, a morte não é a realidade última para aqueles que acreditam em Cristo. Terceiro elemento, antes de Moisés e Elias deixarem Jesus, Pedro sugeriu a Jesus dizendo: “Mestre, como é bom que estejamos aqui! Vamos fazer três barracas (tendas) aqui: uma para ti (para Jesus), uma para Moisés e outra para Elias. A sugestão de Pedro manifesta a tendência humana: porque geralmente, o homem é reconfortado pela experiência da glória. É grato por tudo o que lhe dá alegria e não quer descer à realidade da vida que está cheia de problemas sociais que exigem tantos sacrifícios para serem superados. Mas, graças a Deus, uma nuvem veio e os cobriu, e da nuvem uma voz foi ouvida: “Este é meu Filho amado; escutai-o”. Os apóstolos não viram mais o rosto brilhante de Jesus, nem a brancura de suas vestes. Eles não viram ninguém além de Jesus ao lado deles. Jesus rezou sozinho com Deus Pai. Embora eles não mais tenham visto a transfiguração de Jesus, mas ouviram a voz de Deus Pai: “Este é meu Filho amado; escutai-o”.

Esta passagem tem um significado muito profundo: Deus Pai ofereceu Jesus aos Apóstolos e também à Igreja. Jesus, o Filho único, é o presente mais precioso que Deus Pai nos deu a todos. Em Jesus temos a razão de nossa esperança de que Deus nos ama a todos com um amor imenso e eterno (segunda leitura). O próprio Jesus é a Nova Lei, ele é o Novo Moisés que libertará o povo das trevas, de todo o mal. Jesus está cumprindo tudo o que os profetas anunciaram. Portanto, Jesus é a Palavra de Deus Pai que se fez homem. Ele é a única Palavra que devemos ouvir.

Caros irmãos e irmãs! Aprendemos algumas lições para nossa vida cristã: Em primeiro lugar, a importância da oração. Na Quaresma, aprendemos a passar o tempo necessário em oração. Oração pessoal ou em comunidade como membro da Igreja. A oração é nosso encorajamento. E, a oração nos dá encorajamento para podermos superar todas as dificuldade deste mundo. Atitude da oração de Abraão – entrega total a Deus. Oferecer o que é melhor. E, nossa vida cristã é como subir o Monte Tabor para encontrar Deus, e depois descer para encontrar nosso próximo que merece o cuidado de Deus. Deus nos chama a dedicar nosso tempo à oração para que possamos servir a Igreja e nosso país de acordo com a vontade de Deus.

Sem a oração, nosso trabalho não é diferente com projetos ativistas. Em segundo lugar, é bom lembrar que nossa vitória vem de Cristo crucificado. O caminho da cruz é o nosso caminho. Nossa glória vem do sacrifício e da morte. Nesta Quaresma, devemos sacrificar pelo bem dos outros; e, não sacrificar os outros em nosso próprio benefício. Em terceiro lugar, ser discípulo de Jesus significa aprender a ouvir Jesus o suficiente. Pois Ele é a Palavra que nos traz a verdade. Jesus não só nos transmite a Palavra de Deus Pai, mas também nos dá exemplos, obras ou projetos divinos para a salvação da humanidade. Neste tempo quaresmal, peçamos à intercessão de Nossa Senhora que nos ajude a viver uma vida de oração, a escutar e praticar as palavras de Jesus, a carregar  cruz todos os dias e a seguir cada passo, para que um dia possamos ter glória com ele. Assim seja.

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Pe. Francisco da Costa | Diocese de Díli, Timor-Leste



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