3º Domingo do Tempo Comum | Homilia | Padre Francisco da Costa | 24/01/2021

Publicado por: Silvia Oliveira 29/01/2021

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO B – 2021

Queridos irmãos e irmãs! Certo dia, havia um breve diálogo entre um pastor e um agnóstico – aquele que não acredita em Deus racionalmente (para agnóstico – para acreditar em alguma coisa – tudo deve ser explicado razoavelmente). Agnóstico perguntava, assim, ao pastor: “Pastor, será que o senhor acredita com certeza que o profeta Jonas foi engolido por um grande peixe e ficou no ventre do peixe durante três dias e três noites?O pastor respondia: “Claro que sim, eu acredito! Se eu me encontrar com Jonas no céu, eu queria pedir a Jonas, para me contar essa experiência tão misteriosa”. Agnóstico disse novamente: Ok tá bom. Mas pastor, veja, se fosse o senhor, não encontrar com Jonas no Céu, o que faria? Simplesmente o pastor respondeu: “Se eu não poderia encontrar com Jonas no céu, isto significa que é você mesmo que vai perguntar a ele!”

Queridos irmãos e irmãs! O tema central da liturgia da palavra de Deus no domingo de hoje é a conversão. Escutamos na primeira leitura uma das mais histórias conhecidas da Bíblia e é narrada principalmente no livro do Antigo Testamento, a história de Jonas.

Quem é Jonas? Jonas foi um profeta hebreu. Era filho de Amitai, e veio de Gade-Hefer, uma aldeia de Zebulom, situada nas vizinhanças de Nazaré. De acordo com a passagem de hoje, Deus está pedindo que o profeta Jonas fosse à cidade de Nínive «Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi» esta passagem está escrita no capítulo 3. O livro de Jonas é composto por 4 capítulos. Quando lermos no 1º capítulo – enxergamos que Jonas era desobediente, não quis assumir a missão que Deus lhe foi confiado.

Foi para Jope e embarcou em um navio com destino a Társis a Oeste, na verdade, ele deveria ir ao Nínive onde localizado em leste. No meio da navegação, Deus enviou uma grande tempestade que castigou a embarcação em que o profeta Jonas viajava. Quando acontecia a tempestade, Jonas estava dormindo no porão do barco – a solução era lançar sorte, e no final das contas a sorte caiu sobre o profeta Jonas que foi declarado culpado. Jonas foi lançado ao mar e no instante a tempestade se acalmou. Daí o profeta Jonas foi engolido por um grande peixe que o Senhor providenciou – ficou no ventre do peixe (baleia, mostro do mar) durante três dias e três noites – lemos no 2º capítulo. Depois de ter sido vomitado pelo grande peixe, Jonas obedeceu a ordem de Deus e foi para Nínive. Seguidamente, Jonas pregou conforme Deus havia ordenado, e a cidade naquele momento se arrependeu de seu pecado: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno – escutamos hoje.

Queridos irmãos e irmãs! De Jonas, a gente pode aprender que Jonas foi chamado e enviado por Deus para levar a salvação aos ninivistas. Jonas desobedeceu. Fugiu. Não toma a responsabilidade. Onde quer que Jonas esteja Deus insiste e exige por meio dos sinais naturais, símbolo castigo até que Jonas se cumprisse a sua missão. Então, a primeira lição é esta – em primeiro lugar, Deus converteu Jonas antes que ele levasse a conversão para os povos de Nínive; em seguida Jonas proclamou a sua conversão antes de converter os povos de Nínive. Isto significa para nós que antes de pedir que os outros se convertiam, nós é que temos que se ser convertido. Antes de convencer os outros nós temos que estar convencidos primeiramente.

Em casa, dentro da família – os pais são os primeiros responsáveis, primeiros educadores dos filhos – como ensina os santos padres. Seria uma grande alegria para pais quando os filhos estão alegres, ficam felizes num ambiente de maneira favorável. É interessante para nós pensamos que a família é a Igreja doméstica. É a primeira escola, a primeira instituição no processo de aprendizagem dos filhos.

Os pais têm direito e dever como primeiros e principais educadores dos filhos que corresponda com a natureza da instituição do sacramento matrimonial, isto é pró-criação e educação dos filhos. Como primeiros educadores, os pais também são os primeiros instrutores das crianças na fé. Por meio das palavras, do exemplo, da oração em comum, os pais podem mostrar às crianças o amor de Cristo e ensiná-las sobre os temas da fé. Na minha experiência pessoal, eu encontrei com muitas famílias, vejo que alguns filhos estão abandonados e por outro lado, os pais não conseguiram educar e converter os filhos dos maus hábitos. Porque aconteceu assim. Um dos fatores, porque os pais não querem ser convertidos.

Como podemos falar a alguém sobre a conversão, se nós mesmos não queremos se converter. Por exemplo – o pai fala ao filho; filho vai à missa. O filho não vai, porque o pai também não vai; e os outros exemplos. Como podemos convencer alguém, se nós mesmo não queremos estar convencidos. Como podemos transmitir a fé para as outras pessoas, se nós não acreditarmos. Aprendemos de Jonas. Foi arrependido e fez a sua conversão. Acreditou na misericórdia, comunicou a sua conversão. Da mesma forma, comunicamos a nossa conversão, o nosso arrependimento com todos aqueles que estão ao nosso lado.

Como podemos responder a alguém que nos pergunta será que a história de Jonas foi um mito ou uma fábula… A nossa posição:

1) A história de Jonas foi escrita na Bíblia Sagrada. É a primeira fonte da nossa fé. É a palavra de Deus – então acreditamos nela e que a história de Jonas é a verdade da fé, não é um mito, nem uma fábula contada.

2) A história de Jonas traz o sentido simbólico (metáfora) – que nos deixa a compreensão da morte e a ressurreição de Jesus. Jonas estava no ventre de peixe três dias e três noites para significar que Jesus morreu e no terceiro dia Ele ressuscitou. E isso muito importante para nossa fé. Papa Francisco consagra o 3º Domingo de hoje como o Domingo da Palavra – encarnada em Pessoa de Jesus Cristo.

O Evangelho que acabámos de ouvir, apresenta-nos duas partes importantes: 1) A missão pública de Jesus e  2) A Vocação dos Primeiros Apóstolos (André e seu irmão Simão Pedro, Tiago e seu irmão João. «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Esta frase manifesta um dos mistérios que nós contemplamos sempre no terceiro mistério da luz – onde Nosso Senhor Jesus Cristo, depois de ser batizado no rio Jordão por João Batista, Ele inicia a sua missão pública. A missão que Jesus está realizando é:

1) Anunciar sobre a proximidade do Reino de Deus no meio dos homens – está próximo o reino de Deus.

2) Convidar pessoa para se converter ou para se arrepender.

3) Jesus convida as pessoas para acreditar no Evangelho.  

Queridos irmãos e irmãs! Arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Algumas fases que nos insistiam e exijam na conversão:

1ª) Escutar a palavra de Deus. É necessário ouvir, escutar a palavra de Deus pregada na Bíblia (escutar – como falei no domingo passado, não significa apenas ouvir com os ouvidos, mas significa, sobretudo, acolher no coração, assumir e transformar o que se ouviu, em compromisso de vida). Porque a palavra de Deus é considerada como a chave para abrir, ao mesmo tempo para iluminar os nossos passos e sobretudo os nossos corações, enfim sejamos conscientes aos pecados cometidos por nós, os desvios contra os mandamentos de Deus. A palavra de Deus pode desamarrar as nossas fraquezas. Os Primeiros Apóstolos ao ouvir a palavra, a pregação de Jesus, eles imediatamente deixaram tudo, deixar a vida antiga e seguiram Jesus, vestindo a nova vida em Jesus.

2ª) Acreditar em palavra de Deus. Não apenas escutar a palavra de Deus. Mas, escutá-la com fé. Isto significa acreditamos que a palavra de Deus tem força, tem poder e reconhecemos – confiamos que Deus nos salva pela sua palavra.

3ª) Cultivar atitude de arrependimento ou a conversão. Significa, nós somos conscientes que somos feridos pelos pecados. Somos aprisionados, escravizados pelas nossas faltas, pelos nossos pecados contra o mandamento de Deus. E, podemos dizer que sofremos por causa daquilo que cometemos. Portanto, necessitamos de fazer jejum, penitência e orações para podermos roubar a misericórdia de Deus para nos perdoar. Assim Seja!!!

Queridos irmãos e irmãs!  A doutrina cristã nos ensina que existem bastantes caminhos para se converter. Um deles é o sacramento da reconciliação. A gente já sabe que para se confessar bem, é preciso cinco elementos necessários, e resumindo na oração ato de contrição. Um santo anônimo dizia assim: Se nós não conseguirmos fazendo o bem para os outros, pelo menos nós diminuímos fazendo o mal. Isto pode contribuir também para a nossa conversão. Amém…

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Pe. Francisco da Costa | Diocese de Díli, Timor-Leste

 



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