5º Domingo da Quaresma | Homilia | Padre Francisco da Costa |21/03/2021

Publicado por: Silvia Oliveira 21/03/2021

5º DOMINGO DA QUARESMA, ANO B – 2021

(Jr 31,31-34. Salmo 50. Hb 5,7-9,. Jo 12,20-33)

Queridos irmãos e queridas irmãs! Estamos celebrando o quinto domingo da Quaresma, o penúltimo domingo de nossa preparação para a festa da Páscoa. As leituras que vamos escutar nos convidam a meditar sobre o tema da aliança.

Ao iniciar esta reflexão, gostaria de apresentar uma breve história. Havia um diálogo entre um casal. A esposa disse ao marido: Pai, o que você estava fazendo? O marido respondeu: Eu estava lendo um dos melhores e mais importantes documentos. A esposa perguntou novamente: Mas, por que o senhor estava tão triste? O marido respondeu: Sim, meu amor. Porque neste documento a data de expiração (validade) não estava escrita. A senhora fez a última pergunta: Tudo bem, então, mas qual o documento cuja preocupação seria a data de expiração. O marido explicou com uma voz suave, dizendo: O documento ou a certidão de nosso casamento. Eu pensei que este documento também teria uma data de expiração, assim como a carteira de motorista. Mas infelizmente, não foi possível renovar este documento.

Sim, queridos irmãos e irmãs! As propriedades do sacramento matrimonial que a Santa Igreja Católica nos ensina são: unidade e indissolubilidade. O sacramento matrimonial é a celebração e o compromisso de amor entre um homem e uma mulher, com o objetivo de estarem unidos e formar uma família cristã. No Antigo Testamento, Deus fez uma Aliança com o seu povo. Esta aliança expressa que Javé será sempre fiel a seu povo e vice-versa. No NT, a aliança se realiza em Cristo com sua Igreja. Concede aos esposos a graça de se amarem com o mesmo amor com que Cristo amou a sua Igreja. A graça do sacramento leva à perfeição o amor humano dos esposos, consolida sua unidade indissolúvel tal como: o que Deus uniu o homem não separa. Portanto, a palavra-chave de nossa reflexão é a aliança. Na Bíblia Sagrada, a idéia de aliança é constituir uma espécie de nota contínua no diálogo entre Deus e o homem. A história sagrada que está dividida, precisamente, em duas partes: Antigo e Novo Testamento, ou seja, Antigo e Novo pacto. E aqui a palavra Testamento, significa acordo, aliança, pacto ou promessa.

No Antigo Testamento, se apresentam três importantes alianças que Deus fez com a humanidade: a aliança que Deus fez com Abraão, com Noé e com Moisés. A primeira leitura de hoje, tirada do livro do profeta Jeremias fala da aliança entre Deus, Moisés e seu povo, como também nos fala da nova aliança que Deus vai fazer. A passagem diz, ‘Eis que virão os dias, diz o Senhor, quando eu vou concluir uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá’. Em outras palavras, Deus apresenta a Israel a proposta de uma nova aliança (promessa). Esta nova aliança, porém, foi diferente da antiga aliança que Deus fez com os pais do povo de Israel. É diferente porque a aliança do Sinai era uma aliança externa, escrita ou gravada em tábuas de pedra, por isto que o povo nunca entrou nela. A antiga aliança, apresentava leis que o povo tinha que obedecer ou seguir externamente. Estas leis eram sempre leis externas, que não chegavam ao coração do povo e não mudavam substancialmente sua maneira de ser. Como consequência, o povo foi infiel, desobediente a Deus, caminhou na injustiça, caiu e recaiu muitas vezes na idolatria.

O povo de Deus aderiu à aliança do Sinai, superficialmente com a boca, mas não com o coração (Jesus também diz: ‘que estas pessoas me adoram somente com a boca, porém seus corações ficam longe de mim). Deste modo, Deus propõe, através do profeta Jeremias, uma nova aliança que se baseou de forma diferente, a nova aliança não vai ser mais escrita em tábuas, mas no coração de cada pessoa. Esta é a primeira novidade que temos na nova aliança. O próprio Deus escreverá e gravará suas leis, seus preceitos, na interioridade do homem, no ser mais íntimo de cada pessoa. Na visão antropológica do povo semita, o coração é, além da sede dos sentimentos, a sede dos pensamentos, projetos, decisões e ações do homem. Representa o centro do ser, onde o homem dialoga consigo mesmo, toma suas decisões, assume suas responsabilidades. O “coração” é, portanto, a chave da transformação. Com um coração transformado, o homem é capaz de pensar, decidir e agir segundo os esquemas e instruções de Deus, no qual é necessário ser fiel a esta nova aliança, em obediência aos mandamentos, no respeito às leis, e no amor a Deus. Daí resulta um relacionamento pessoal de proximidade, de intimidade, precisamente, um relacionamento de maneira mais familiar. Na última frase de nosso texto, Deus anuncia o perdão pelas faltas de seu povo: um perdão total e sem reservas. Este é um dos resultados deste novo relacionamento que será estabelecido entre Deus e seu povo.

Na segunda leitura, a carta aos Hebreus nos apresenta Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote da Nova Aliança. Ou seja, a antiga aliança aconteceu no Sinai (o lugar santo de Deus), enquanto a nova aliança se encontra na Pessoa de Jesus Cristo – Ele é o santo altar de Deus. Falamos sobre o sacerdócio de Jesus Cristo, significa que falamos sobre o seu próprio sacrifício. Em Jesus, a nova aliança de Deus se torna concreta, visível. Mais do que isso, Jesus não é como Moisés, que meramente “promulga” a aliança, mas ele “a realiza” de uma forma perfeita em sua própria pessoa. Nele, Deus e o homem não falam mais um com o outro à distância, e é por isso que a aliança não é apenas “nova”, mas também “eterna”. Antes de morrer, Jesus instituiu um memorial desta Nova Aliança com seus discípulos na última ceia, que é a Eucaristia. Não mais pelo sangue de um cordeiro ou de um bode (cf. Ex 24,8), mas o do próprio Filho de Deus. Assim, sempre ouvimos as palavras repetidas pelo sacerdote na hora da consagração ‘tomai e comei este é meu corpo’, ‘tomai e bebei este é o cálice de meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança’.

Assim, cada um de nós é convidado a olhar para Jesus, aprendendo com Ele, seguindo-O no caminho do amor. Jesus deve ser o modelo, a referência, o exemplo daqueles que querem aceitar o desafio de Deus e viver na comunidade da Nova Aliança – estamos nos referindo à Igreja. Jesus pela obediência se entrega totalmente a Deus na cruz para nos salvar. “Mesmo sendo o Filho de Deus, ele aprendeu o que significa obediência a Deus Pai pelo que sofreu”. É nisto, que se nos mostra as palavras de Jesus: “Agora me sinto angustiado”. E o que direi? Pai, livra-me desta hora? Mas foi para esta hora que eu vim. Pai, glorifica teu nome! Em outras palavras, Jesus sempre faz e cumpre a vontade do Pai. Jesus aceita a cruz, Ele aceita o cálice do sofrimento. Jesus quer conscientemente a glorificação do nome de Deus Pai, através da exaltação ou crucificação, e de sua morte. Jesus é o grão de trigo que foi lançado na terra e morreu para produzir muitos frutos. Cada um de nós é um fruto da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Ele mesmo diz: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens para Mim mesmo”. A cruz é o centro do cristianismo, a nova aliança que Deus estabeleceu com seu povo, com todos nós, novo povo de Israel.

Caros irmãos e irmãs! Precisamos da conversão de nossos corações neste tempo de Quaresma. Como o salmista nos encantou hoje: “Criai em mim, Senhor um coração que seja puro!” É necessário rever e renovar nossas promessas, nosso compromisso como cristãos, como casais, como sacerdotes, religiosos, oficiais, políticos e tudo o mais. Revisemos nosso coração, porque nele Deus escreveu suas leis, para imitar os passos de Jesus, nosso Sumo Sacerdote, que deu sua vida por nossa salvação. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!!!

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Pe. Francisco da Costa | Diocese de Díli, Timor-Leste



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